Deixa estar

Seguindo com as contribuições especiais, segue o texto de um amigo, quase poeta.

Preciso confessar algumas velhas certezas que só me fazem carregar ao longo dos dias uma carga excessiva de novas e atordoadas perguntas, que se cruzam em uma mesma conclusão: tem tanta coisa nessa vida que não é pra ser. Por que? Dizer que as coisas nem sempre vão para onde a gente quer, se torna muito óbvio.

Quero novas respostas! Cadê? Ninguém sabe, ninguém viu. É uma diversidade de verdades, que me deixam com a leve impressão de que nem todas são assim, de caráter inabalável.

As vezes se torna impossível escapar de um dia mais ou menos, mesmo que esse dia se torne dias. Onde uma noite de sono tranquilo se torna um amigo distante. Meu complexo conjunto de exigências e pavores às vezes insistem em não dar um tempo para me tornar livre para fazer escolhas simples.

É assim, a bateria acaba, as pernas doem, a cabeça se enche de incertezas, as expectativas desmoronam do alto de nossas vaidades e o coração chora baixinho. Mas passa. Dias ruins não duram para sempre.

A vida é uma bailarina que convida para a dança, que quando menos se espera ela entra pela porta da frente, rodopiando com uma leveza que acalma o coração, girando sobre os pés, deslizando pela casa e trazendo de volta os dias calmos.

Ninguém disse que viver seria fácil, deixa estar, porque para cada angústia há um desagravo glorioso para mostrar que a esperança não é a ultima que morre, mas um ato de resistência.

Guilherme Alencar

  1 comment for “Deixa estar

  1. Clara
    29 de abril de 2015 at 20:00

    Texto foda, que seja o primeiro de muitos que outras pessoas possam ler!

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